Jogos de azar operados em Mato Grosso teriam origem em Goiás e Rio de Janeiro

(Por Camilla Zeni, O Livre)

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

 

A Polícia Civil de Mato Grosso acredita que tanto o ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, líder da organização criminosa Colibri, quanto seu principal rival, Frederico Muller Coutinho, respondiam a chefes de outras organizações, também relacionadas ao jogo do bicho. A informação foi prestada pelo delegado Flávio Henrique Stringueta, titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), na tarde de quinta-feira (6).

De acordo com o delegado, as investigações apontaram que as duas organizações criminosas têm ligações com esquemas de jogos de azar dos estados de Goiás e do Rio de Janeiro.

Segundo a apuração, enquanto Frederico Muller trabalhava com o estado vizinho de Mato Grosso, onde o maior bicheiro seria Carlos Cachoeira, João Arcanjo Ribeiro trabalhava com os jogos do Rio de Janeiro, cujo líder é desconhecido.

“Eu tenho a convicção que ele [Frederico] trabalhava para alguém. Essa é a nossa linha de investigação. Um outro bicheiro de fora, acima tanto do Frederico quanto do Arcanjo. É como se fossem uma ramificação de outro local”, explicou Stringueta.

O delegado também informou que a Polícia Civil já trabalha com agentes de outros estados para buscar quem seria o líder das organizações. No entanto, ele relatou dificuldade em relação às demais polícias. Isso porque, segundo ele, o combate ao jogo do bicho não seria uma prioridade nos outros estados.

Delações

O titular da GCCO observou que quatro, dos 29 presos na operação, confessaram suas participações e delataram as ações dos superiores. Desses, um atuava como recolhedor dos valores arrecadados com as apostas, o outro seria gerente operacional no município de Tangará da Serra (240 km de Cuiabá), o terceiro era responsável pela captação de novos pontos de jogos, enquanto o último seria um dos supervisores do esquema. Todos trabalhavam para a organização Ello/FMC.

Líder da Ello/FMC, Frederico Muller ficou em silêncio durante seu interrogatório e, à imprensa, negou esclarecimentos.

Da Colibri, apenas João Arcanjo respondeu aos questionamentos dos delegados Luiz Henrique Damasceno e Juliana Chiquito Palhares, responsáveis pelos interrogatórios. Ele, porém, negou todas as acusações.

Contudo, de acordo com Stringueta, a falta de “colaboração” dos investigações não afetaria o inquérito, que deve ser finalizado e enviado para ao Ministério Público ainda nesta sexta-feira (7). À imprensa, o delegado afirmou que a Polícia Civil possui provas contra todos os alvos da operação, e que uma colaboração “interessante” seria se os líderes apontassem seus superiores.

Fonte: https://olivre.com.br