18/06/2024

Veículo de bióloga estava a 54 km/h ao atropelar 3 na frente da Valley, diz perícia

(Por: Vinicius Lemos)

O carro dirigido pela bióloga Rafaela Screnci da Costa estava a, aproximadamente, 54 km/h quando atropelou três pessoas em frente à Valley Pub, em Cuiabá. Na avenida Isaac Póvoas, a velocidade permitida é de 50 km/h, segundo a Polícia Civil.

As informações constam em laudo da Politec, assinado pelo perito Henrique Praeiro Carvalho. Os dados sobre o atropelamento foram revelados na tarde desta terça (19), quando a Politec e a Polícia Civil divulgaram informações do laudo pericial sobre o atropelamento de 23 de dezembro.

Myllena de Lacerda Inocêncio, 22 anos, Hya Giroto Santos, 21 anos, e o cantor Ramon Alcides Viveiros, 25 anos, foram atropelados por volta das 5h50 pela bióloga, que conduzia um Renault Oroch. Os três saiam da boate sertaneja. Myllena e Ramon faleceram. Já Hya ficou internada por várias semanas até receber alta médica.

O perito Henrique Praeiro explicou que o laudo da Politec no qual concluiu que o veículo estava a cerca de 54 km/h – com quatro quilômetros de margem de erro para mais ou menos – considerou que o atropelamento foi motivado unicamente por fatores humanos. “Eliminamos o fator local, porque a avenida Isaac Póvoas está em boas condições de tráfego. Além disso, avaliei o Oroch, testei freios, faróis, luzes e não havia nenhum problema no veículo”, declarou.

Em relação à motorista, ele disse que havia totais condições para que ela avistasse as três pessoas na pista. “Constatamos que ela poderia reagir e evitar a colisão. Outros veículos que estavam na via não realizaram nenhuma obstrução ao Oroch”.

Sobre os jovens atropelados, o perito disse que a análise apontou que Hya pode ter prejudicado a travessia dos amigos. “Até a metade da pista, praticamente, eles realizaram a travessia de modo perpendicular à pista e de forma contínua. Em certo momento, a pessoa 3 [Hya] para no meio da travessia e as outras pessoas reduziram a velocidade e passaram a andar devagar”.

“Se não houvesse a mudança na velocidade da travessia, eles concluiriam antes da chegada do veículo Oroch. Então, o fato de terem parado sobre a pista retardou o tempo de travessia deles, de modo que o veículo Oroch os alcançou e o evento aconteceu”, acrescentou.

Praeiro explicou que para chegar à velocidade do Oroch, analisou o local do atropelamento. No entanto, relatou que teve dificuldades, porque não era possível avaliar exatamente a área da fatalidade. “A imprecisão do cálculo acontece em razão da posição do sítio de atropelamento, porque não há uma posição fixa e, sim, uma área”.

A equipe de peritos utilizou vídeos de câmeras da região e itens apreendidos no local, como fragmentos do Oroch, para que pudesse estimar a velocidade. Os referenciais utilizados para a análise foram marcas de sangue das vítimas na pista.

Delegado quer nova análise

O delegado Christian Alessandro Cabral, da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), informou, na tarde de hoje, que pedirá nova análise das imagens do acidente. Desta vez, ele irá solicitar que a Politec analise cada frame dos vídeos do acidente, ou seja, cada mínima movimentação capturada por imagens que registraram o atropelamento.

O pedido do delegado será feito em razão de ele acreditar que o veículo estava em uma velocidade superior à apontada pela perícia. Segundo Crhistian, com base em relatos de testemunhas e também nas apurações, o carro estaria a, ao menos, 80 km/h.

Ele explicou ainda que Rafaela Screnci responde por duplo homicídio culposo, agravado por ingestão de bebida alcoólica. A acusada pode pegar até oito anos de reclusão em cada uma das mortes, além de até cinco anos pela lesão contra Hya.

Caso as investigações considerem que o crime deve ser considerado doloso, ou seja, Rafaela teve a intenção de atropelar os jovens, ela poderá pegar pena de até 20 anos de prisão. Para isso, as investigações sobre o caso terão de ser concluídas. “O laudo deixou bem claro que se ela não estivesse sob o efeito de álcool, poderia evitar ou até prever o acidente”, declarou Crhistian.

O delegado explicou também que irá analisar as imagens e os relatos de testemunhas para definir se Hya também será culpabilizada. “Ela pode continuar como vítima, responder por crime de menor potencial ofensivo ou pelo próprio homicídio culposo. Como os que morreram não podem ser culpabilizados, nem devem, nosso problema agora é definir a contribuição que a Hya teve para o retardado da travessia do Ramon e da Mylena”, disse. Segundo o delegado, os peritos vão avaliar a postura dela com base em vídeos do acidente.

Fonte: www.rdnews.com.br

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