No auge, Fazenda Descalvados, em Cáceres, abatia cerca de 20 mil cabeças de gado por ano e exportava carne enlatada. Hoje, a atividade industrial e de pecuária deu lugar ao ecoturismo.

(Por André Souza, G1 MT)

Fazenda Descalvados fica às margens do Rio Paraguai — Foto: Lenda Turismo/ Divulgação

Fazenda Descalvados fica às margens do Rio Paraguai — Foto: Lenda Turismo/ Divulgação

 

Em posição estratégica às margens do Rio Paraguai, em Cáceres, a 220 km de Cuiabá, a Fazenda Descalvados viveu seu auge no período colonial, quando exportava produtos para a Europa e abatia cerca de 20 mil cabeças de gado por ano. Pouco mais de 140 anos depois, embarcações continuam a aportar na fazenda, mas com outro propósito: o ecoturismo.

Na semana do Meio Ambiente, o G1 publica, em parceria com a TV Centro América, uma série de reportagens sobre o assunto e detalhes da Expedição Travessia e da Expedição Rio Paraguai – das nascentes à foz. No dia 5 de junho é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente.

A estrutura, que é tombada pela Secretaria Estadual de Cultura (SEC-MT), fica a cerca de 100 km de Cáceres, no Pantanal mato-grossense.

Fazenda Descalvados fica às margens do Rio Paraguai — Foto: Divulgação

Fazenda Descalvados fica às margens do Rio Paraguai — Foto: Divulgação

Durante a Primeira Guerra Mundial, diante da escassez de carne na Europa, a Fazenda Descalvados foi o pilar da produção de charque e carne industrializada.

Nesse período, toneladas de carne enlatada foram enviadas pelo Rio Paraguai. A produção foi possibilitada por expansionistas belgas.O primeiro proprietário da fazenda foi João Carlos Pereira Leite, que a recebeu de doação em retribuição pela luta na Guerra do Paraguai.

Turistas são atraídos pelas belas paisagens do lugar — Foto: Lenda Turismo/ Divulgação

Turistas são atraídos pelas belas paisagens do lugar — Foto: Lenda Turismo/ Divulgação

Em 1895, o uruguaio Jayme Cibils Buchareo compra a fazenda e dá início a indústria extrativista na propriedade.

A estrutura da fazenda seguia os mesmos moldes das grandes propriedades da época: casa grande, morada dos colonos, armazém, igreja, praça, oficina, casa de administração, curral, matadouro e galpão.

No auge, fazenda chegou a abater 20 mil cabeças de gado por ano — Foto: Reprodução

No auge, fazenda chegou a abater 20 mil cabeças de gado por ano — Foto: Reprodução

Por volta do ano de 1900, a produção de gado diminuiu e foi preciso adquirir gado de outras fazendas. As dificuldades fizeram com que os donos investissem no extrativismo mineral e na borracha.

“A crise que se abateu sobre a pecuária na região, aliada a outros fatores técnicos e de mercado, levou ao declínio da propriedade. Muito do maquinário da fábrica, sua caldeira, as oficinas e marcenaria e um antigo caminhão encontram-se, ainda hoje, dispostos na sede da fazenda, mas, a despeito de seu significado histórico e do interesse turístico, abandonados à ação do tempo”, como conta o pesquisador Álvaro Banducci Júnior.

Pousada recebe visitantes para atividades no Pantanal  — Foto: Lenda Turismo/Divulgação

Pousada recebe visitantes para atividades no Pantanal — Foto: Lenda Turismo/Divulgação

Hoje, o parque industrial foi desativado e a pecuária deu lugar ao ecoturismo.

Entre as atividades desenvolvidas na Pousada Descalvados estão: pesca, focagem noturna, safári fotográfico, passeios de barco e observação de onças.

Acesso ao local é feito de barco — Foto: Lenda Turismo/Divulgação

Acesso ao local é feito de barco — Foto: Lenda Turismo/Divulgação

Fonte: https://g1.globo.com/mt/