O deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) criticou a prisão do ex-secretário de Estado Francisco Faiad, em decorrência da quinta fase da Operação Sodoma, deflagrada em 13 de fevereiro.

 

A prisão – já revogada – foi decretada pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital. O Ministério Público Estadual (MPE) acusa Faiad de integrar um esquema que teria causado prejuízo de R$ 8,1 milhões aos cofres do Estado, entre 2011 e 2014, durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

 

“[A prisão] foi um abuso monstruoso. Sem dúvida nenhuma”, disse Bezerra, em entrevista concedida ao programa O Livre, da Band MT.

 

Na ocasião, o deputado também afirmou que, em seu ponto de vista, a prisão não teria justificativa.

 

O Faiad é um profissional conhecido em Cuiabá, atuante há muitos anos, líder dos advogados daqui. Ele foi presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil – MT). Não tem razão nenhuma para essa prisão do Faiad, no meu ponto de vista

“O Faiad é um profissional conhecido em Cuiabá, atuante há muitos anos, líder dos advogados daqui. Ele foi presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Não tem razão nenhuma para essa prisão, no meu ponto de vista”, disse.

 

Sete dias após a prisão, o desembargador Pedro Sakamoto, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, determinou a soltura de Faiad.

 

Para Sakamoto, inexistiria justificativa plausível para manter o advogado preso, “ao menos com base no quanto trazido a conhecimento”.

 

Sakamoto citou trechos da decisão da juíza Selma Arruda e verificou que a magistrada decretou a prisão com base em três pontos: a gravidade concreta dos crimes supostamente praticados pela organização criminosa que ele pertenceria; o risco de ele reicindir nos alegados ilícitos; e o perigo de Faiad atrapalhar a instrução do processo, “em razão da qualidade de advogado criminalista ostentada”.

 

Porém, o desembargador sustentou que a gravidade dos crimes apurados não é justificativa suficiente para a decretação da prisão.

 

Corrupção no Governo

 

Ainda durante a entrevista, o deputado afirmou que não vê o mesmo empenho das autoridades no que diz respeito às investigações de possíveis casos de corrupção envolvendo a gestão do governador Pedro Taques (PSDB).

 

Ele citou como exemplo a Operação Rêmora, em que o delator Giovani Guizardi apontou a existência de um esquema de fraudes em licitação da Seduc, que serviria para pagar dívidas não declaradas da campanha de Taques.

 

“O que é mais sério em Mato Grosso nessa questão toda é que da parte do Silval é para apurar tudo – e é bom que se apure – mas, da parte do atual Governo, parece que é pra segurar tudo”, disse.

 

“Tem escândalo no Detran que está engavetado, escândalo dos consignados engavetado, em que prenderam um cidadão com R$ 1 milhão pra entregar não sei pra quem, ele foi liberado imediatamente e continua operando com o Estado”, afirmou.

 

Por fim, Bezerra disse ainda – sem citar nomes – ver com surpresa o fato de juízes e o Ministério Público saírem em defesa da atual gestão.

 

“Para minha surpresa, eu vi defendendo o Governo na imprensa, tanto o MPE, tanto a juíza que cuida do caso. Uma coisa inusitada. No sentido de defesa mesmo, que era ‘coisa mínima’, ‘pontual’, que não tinha nada a ver. Mais ou menos por aí”, concluiu.

Fonte: http://www.midianews.com.br