O governador Pedro Taques (PSDB) colocou em xeque o depoimento do ex-deputado José Riva, que confessou, na última sexta-feira (31), que as últimas gestões do Executivo pagavam propinas milionárias para deputados, no intuito de obter apoio ao Palácio Paiaguás.

A denúncia foi feita no reinterrogatório da ação penal derivada da Operação Imperador, conduzida pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital. Segundo Riva, 34 parlamentares teriam recebido uma espécie de “mensalinho” para apoiar a gestão do então governador Blairo Maggi (PP) e de Silval Barbosa (PMDB).

Taques comparou as declarações do ex-parlamentar a uma delação premiada e disse que o instrumento vem sendo utilizado como forma de chantagem.

Temos que atentar para delações. É muito fácil, um cidadão comete crimes a vida toda, de repente vira santo e faz delação

“Quero ressaltar a importância da delação como instrumento penal e criminal. No entanto, no Brasil, a delação está virando instrumento de chantagem política. Algumas até de comércio”, afirmou.

“Então, temos que atentar para delações. É muito fácil, um cidadão comete crimes a vida toda, de repente vira santo e faz delação”, completou.

 

O tucano preferiu não comentar se a confissão de Riva pode pesar de modo negativo aos pré-candidatos à vaga do ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Humberto Bosaipo.

Os deputados Guilherme Maluf (PSDB), José Domingos Fraga (PSD) e Sebastião Rezende, cotados ao cargo, foram citados por Riva como beneficiários do “mensalinho”.

 

“Eu não vou jantar antes de almoçar. Não posso desrespeitar a Assembleia Legislativa. Não sei nem se tem vaga no TCE agora. Dizem que tem conselheiro que vai se aposentar. Eu não sei se tem vaga. Quando tiver, a Assembleia indica e o Governo assina o decreto ou não”, resumiu.

 

As acusações

 

O ex-deputado estadual José Riva revelou que os governos do falecido Dante de Oliveira, do atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi e de Silval Barbosa (PMDB), pagavam propinas milionárias para deputados, no intuito de ter o apoio deles na Assembleia Legislativa.

Apenas de 2005 a 2008, segundo Riva, o governo de Blairo teria repassado um total de R$ 37,5 milhões a boa parte dos deputados à época. Para executar os repasses ilegais, de acordo com Riva, o Executivo suplementava os valores que deveria repassar ao Legislativo.

“Nesse período [2003 a 2004] foram movimentados R$ 1,1 milhão. Em 2005 aumentou para R$ 3,4 milhões. Em 2006 foram R$ 6 milhões. Em 2007, quando era presidente o Sérgio Ricardo, R$ 12 milhões. Em 2008, R$ 15 milhões”, disse Riva, que foi ex-presidente da Assembleia por vários mandatos.

Na audiência, ele citou os nomes de 34 supostos beneficiários da propina. Estão na lista: o ex-deputado e ex-governador Silval Barbosa; o ex-deputado e atual conselheiro afastado do TCE, Sérgio Ricardo; os deputados Mauro Savi, Dilceu Dal Bosco, Pedro Satélite, Guilherme Maluf, Gilmar Fabris, José Domingos Fraga, Wagner Ramos, Adalto de Freitas e Sebastião Rezende; o ex-deputado e atual secretário adjunto da Casa Civil, Carlos Brito; o ex-deputado e atual conselheiro do TCE, Campos Neto; os ex-deputados Nilson Santos, Airton Português, Eliene Lima, Maksuês Leite, Ademir Bruneto, João Malheiros, Zeca D’Ávila, Nataniel de Jesus, Antônio Brito, José Carlos de Freitas, João Malheiros e Renê Barbour; o ex-conselheiro do TCE Alencar Soares; o ex-deputado e ex-secretário de Educação, Carlão Nascimento; o ex-deputado e ex-prefeito de Várzea Grande, Wallace Guimarães; o ex-deputado e ex-conselheiro do TCE, Humberto Bosaipo; o ex-prefeito de Sinop, Juarez Costa; o ex-prefeito de Rondonópolis e ex-deputado Percival Muniz; o ex-deputado e ex-prefeito de Cuiabá, Chico Galindo; a ex-deputada e ex-vereadora Chica Nunes e o já falecido ex-deputado Walter Rabello.