Oprimeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de Cuiabá foi marcado pela polarização entre Abílio Júnior (Podemos) e Gisela Simona (Pros), que se estranharam após fala polêmica e classificada como misógina. Sem a participação do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), os postulantes focaram em temas como políticas para mulheres, transporte público, saúde, redução de gastos e corrupção na administração.

No primeiro bloco do programa, o destaque ficou para o candidato do Psol, Gilberto Lopes, que aproveitou a ausência do prefeito para retirar o paletó que usava e colocar no púlpito que deveria ser usado pelo emedebista. O ato foi em alusão ao vídeo em que o gestor aparece com o chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa (sem partido) colocando maços de dinheiro no paletó.

O caso foi abordado por praticamente todos os candidatos. Roberto França (Patriota), prefeito da Capital por oito anos (1998 a 2003), disse que gostaria de ter tido oportunidade de perguntar sobre o caso a Emanuel. O candidato apoiado pelo governador Mauro Mendes (DEM), relembrou ainda o afastamento de quatro secretários municipais (Huark Douglas, Alex Vieira Passos, Marcus Brito e Luiz Antônio Possas de Carvalho) nos últimos anos, por conta de investigações que apurar supostos atos de corrupção.

Debate candidatos prefeitura de Cuiaba

Debate da TV Vila Real com Gilberto Lopes, Julier Sebastião, Abílio Júnior, Gisela Simona, Aécio Rodrigues, Paulo Henrique Grando e Roberto França

Um dos candidatos que lideram as pesquisas eleitorais, França foi questionado, principalmente, sobre os oito anos em que esteve à frente do Palácio Alencastro. Gilberto chegou a citar o atraso de salários dos servidores públicos municipais durante a gestão. O psolista também provocou o adversário, dizendo que o ex-prefeito foi reprovado pelos eleitores, após não conseguir ser eleito para a Assembleia.

França, por sua vez, reforçou que pegou uma administração cheia de problemas, com seis folhas salariais atrasadas, mas que pagou em dia os salários da prefeitura. “Peguei uma herança maldita, mas paguei 54 folhas em 8 anos de gestão”.

Gilberto Lopes

Gilberto Lopes, do Psol, colocou paleto no púlpito que seria usado por Emanuel Pinheiro, ausente durante o debate

Durante as mais de 2 horas de debate, quatro candidatos pediram direito de resposta. França e Julier foram atendidos, mas Gisela e Abílio não.

Transporte Público

Julier Sebastião (PT) foi duramente contestados pelos candidatos Aécio Rodrigues (PSL) e Paulo Henrique Grando (Novo), sobre a proposta de reduzir a passagem dos ônibus, passando de R$ 4,10 para R$ 3,70. Para isso, o petista defende criar uma empresa pública para concorrer com as empresas privadas que, atualmente, cuidam do transporte público.

Aécio, líder de um partido da extrema direita, criticou a tendência de governos petistas de estatização de serviço. Diz que o primeiro passo é parar de “passar a mão na cabeça dos donos das empresas de transporte público”.

Já Grando declarou que a história do país mostra que as empresas públicas não têm bons resultados, e que servem apenas para “passar verniz” em um problema.

VLT

O VLT, que deveria estar funcionando desde 2014, também voltou a ser citado em um debate. Julier defendeu a conclusão do modal, para funcionar em alinhamento com os coletivos. “Como prefeito, vamos ter legitimidade para lutar para que o VLT seja concluído. Pressionar para que o governador Mauro Mendes assuma esse compromisso”.

Já Gisela questionou a conclusão. Defende que a prefeitura não tem recursos suficientes para a conclusão do modal. “O VLT custa caro ao cidadão. R$ 55 milhões por ano para a Prefeitura de Cuiabá. De onde vai tirar esse dinheiro para pagar o VLT? Temos candidato do governo prometendo o VLT, sem ter condições de concluir”.

Em dobradinha com Aécio, Abílio provocou quem defende a conclusão do VLT. Afirmam que a responsabilidade não é do prefeito.

“Não é uma competência do prefeito, muitos tentam entrar nessa pauta populista, pois a população tem o sentimento de que o dinheiro dela foi roubado. Mesmo entrando na competência do Estado, já está comprovado que a conclusão é inviável, pois para terminar irá custar de R$ 700 milhões a R$ 1 bilhão”, declarou Aécio.

Julier Sebasti�o e Abilio J�nior

Os candidatos Julier Sebastião e Abílio Júnior ficaram lado a lado durante o debate na TV

Apps e gênero

Gisela protagonizou outros dois momentos de grande embate no programa. Foi acusada de querer barrar a atuação de motoristas de aplicativo, ao propor parceria com a Polícia Militar para fiscalizar o transporte alternativo na Capital. A candidata ressaltou que defende trabalhadores do setor e que sua proposta trata apenas de quem trabalha na clandestinidade, como no setor de moto-táxi.

Após, foi para o embate com Abílio, após o candidato dizer que ela é boa candidata, “apesar de ser mulher”. Chegou a pedir direito de resposta, mas a solicitação foi negada pela direção da TV Vila Real.

Bastidores

Nos bastidores, o clima foi tranquilo. Os candidatos puderam levar até cinco assessores, que ficaram separados em salas. No estúdio, os postulantes tinham autorização de receber o auxílio de um aliado. Alguns vices, como Felipe Wellaton (Cidadania), Maestro Fabrício (PDT) e Vera Bertoline (PT), também se fizeram presentes na emissora.

 

 

 

 

Fonte; https://www.rdnews.com.br/eleicoes-2020/com-clima-quente-entre-julier-gisela-e-abilio-candidatos-a-prefeito-debatem-genero-transporte-publico-e-corrupcao/135058