Em seu acordo de delação premiada, o médico Rodrigo da Cunha Barbosa, filho do ex-governador Silval Barbosa, gravou encontros com o deputado estadual Wagner Ramos (PSD). Ele teria usado uma caneta espiã para fazer a gravação.

Na delação, Rodrigo e Silval relataram que o deputado os pressionou para receber dinheiro para a aprovação das contas do governo estadual na Assembleia Legislativa, da qual Wagner era relator.

O parlamentar também foi acusado pelos delatores de ter pedido propina, juntamente com outros deputados, para frear as investigações da CPI das Obras da Copa.

Por meio da assessoria, o deputado Wagner Ramos ressaltou que, até o momento, não teve acesso aos autos da delação, mas que “as narrativas que o envolvem encontram-se distorcidas da realidade dos fatos”.

“No exercício de minha defesa, demonstrarei a veracidade dos fatos, de maneira a resguardar a minha honra e probidade no exercício do meu mandato parlamentar”, pontuou, em nota.

Contas do governo e CPI

Silval afirma que, em dezembro de 2015, Rodrigo foi procurado pelos deputados Silvano Amaral (PMDB), Wagner Ramos (PSD) e José Domingos Fraga (PSD), que compunham a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia e eram responsáveis por emitir um parecer sobre as contas do governo referentes ao exercídio de 2014.

“Tais deputados estaduais exigiram a seu filho RODRIGO, os pagamentos de R$ 200.000 para SILVANO AMARAL, R$ 250.000 para WAGNER RAMOS e R$ 200.000 para JOSE DOMINGOS FRAGA”, consta na delação do ex-governador.

Aos procuradores da República, Silval disse que “se viu pressionado a ceder a tais extorsões, eis que em função da situação em que o Declarante se encontrava, o parecer favorável da Assembleia de suas contas de governo iriam auxiliá-lo em sua defesa”

CPI das Obras da Copa

O ex-governador relata ainda que o filho manteve conversas com Wagner Ramos sobre a CPI das Obras da Copa e que chegou a um valor de R$ 7 milhões para isentar o ex-governador no relatório final da investigação. Uma dessas reuniões em que foi discutida a propina teria sido gravada.

À época a CPI era presidida pelo deputado Oscar Bezerra (PSB) e relatada pelo deputado Mauro Savi (PSB). Também faziam parte da CPI os deputados Dilmar Dal Bosco (DEM), Silvano Amaral (PMDB) e Wagner Ramos (PSD).

O relatório final constatou a necessidade da devolução de mais de R$ 541 milhões aos cofres públicos, a retomada imediata das obras e a sugestão de indiciamento de sete agentes políticos, 96 agentes públicos, 16 empresas privadas e 7 consórcios de empresas.

Do montante a ser devolvido, quase R$ 110 milhões eram referentes à obra da Arena Pantanal, mais de R$ 115 milhões de obras de mobilidade e quase R$ 316 milhões com o VLT.

A comissão foi criada em 2015 e teve duração de 22 meses. Em abril deste ano, a Assembleia aprovou o relatório por 16 votos favoráveis. Oito deputados não participaram da votação, pois não estavam em Plenário.

Deputados que votaram a favor
Professor Adriano (PSB)
Dilmar Dal Bosco (DEM)
Gilmar Fabris (PSD)
Wagner Ramos (PSD)
Eduardo Botelho (PSB)
Dr. Leonardo (PSD)
Mauro Savi (PSB)
Oscar Bezerra (PSB)
Pedro Satélite (PSD)
Saturnino Masson (PSDB)
Silvano Amaral (PMDB)
Wancley Carvalho (PV)
Allan Kardec (PT)
Zeca Viana (PDT)
Valdir Barranco (PT)
Wilson Santos (PSDB)

Deputados que não votaram / ausentes
Adalto de Freitas (SD)
Guilherme Maluf (PSDB)
José Domingos Fraga (PSDB)
Baiano Filho (PSDB)
Ondanir Bortolini – Nininho (PSD)
Romoaldo Júnior (PMDB) – licenciado por 15 dias
Sebastião Rezende (PSC)
Janaina Riva (PMDB)

*Colaboraram ainda Laíse Lucatelli e Helson França

 

Fonte: http://olivre.com.br