O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) ofereceu denúncia contra o empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, e o engenheiro eletricista Edezio Ferreira da Silva.

A denúncia foi protocolada na tarde desta segunda-feira (19). A nova acusação é derivada da 3ª fase da Operação Rêmora, denominada “Grão Vizir”, que culminou na prisão de Alan Malouf, no último dia 14.

Na última sexta-feira (16), Alan prestou depoimento ao Gaeco sobre a operação, que apura um esquema de propina e fraudes em licitações na Secretaria de Estado de Educação, do qual ele seria um dos líderes.

Segundo a denúncia, Alan Malouf era um dos líderes do esquema e se beneficiou diretamente com a propina arrecadada no esquema, que era paga por empresários que tinham valores a receber da Seduc.

“Por integrar o núcleo de liderança da organização criminosa, também se beneficia diretamente da propina arrecadada por participar do rateio dela feito entre os integrantes do grupo delituoso, além de fazer as articulações necessárias para o desenvolvimento dos esquemas criminosos engenhados para cobrar e receber propina”, disse o Gaeco, ao citar o empresário.

Além das investigações que já estavam em andamento, a nova denúncia teve como base a delação do empresário Giovani Guizardi, da Dínamo Construtora Ltda. Em sua delação, ele deu detalhes do esquema e afirmou que as fraudes foram montadas por ele e por Alan Malouf.

Conforme Guizardi, o objetivo do esquema era recuperar o investimento de R$ 10 milhões que Alan doado, via caixa dois, para a campanha do governador Pedro Taques, em 2014.

Alan Malouf foi denunciado sob a acusação de integrar organização criminosa e de ter praticado corrupção passiva por 19 vezes.

Já Edezio Ferreira foi denunciado por, em tese, integrar a organização que atuava na Seduc. De acordo com a denúncia, além de ter alugado uma sala para as reuniões do delator Giovani Guizardi, o engenheiro fazia o levantamento dos valores que os empresários tinham a receber da secretaria, no intuito de auxiliar o delator na cobrança de propina.

Operação Rêmora

A denúncia derivada da 1ª fase da Operação Rêmora aponta crimes de constituição de organização criminosa, formação de cartel, corrupção passiva e fraude a licitação.

Na 1ª fase, foram presos o empresário Giovani Guizardi; os ex-servidores públicos Fábio Frigeri e Wander Luiz; e o servidor afastado Moisés Dias da Silva. Apenas Frigeri continua preso.

Em maio deste ano, o juiz Bruno D’Oliveira Marques, substituto da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, recebeu a denúncia.

Nesta fase, são réus na ação penal: Giovani Belato Guizardi, Luiz Fernando da Costa Rondon, Leonardo Guimarães Rodrigues, Moises Feltrin, Joel de Barros Fagundes Filho, Esper Haddad Neto, Jose Eduardo Nascimento da Silva, Luiz Carlos Ioris, Celso Cunha Ferraz, Clarice Maria da Rocha, Eder Alberto Francisco Meciano, Dilermano Sergio Chaves, Flavio Geraldo de Azevedo, Julio Hirochi Yamamoto filho, Sylvio Piva, Mário Lourenço Salem, Leonardo Botelho Leite, Benedito Sérgio Assunção Santos, Alexandre da Costa Rondon, Wander Luiz dos Reis, Fábio Frigeri e Moisés Dias da Silva.

Na segunda fase da operação, foi preso o ex-secretário da pasta, Permínio Pinto. Ele foi posteriormente denunciado junto com o ex-servidor Juliano Haddad.

Neste mês foi deflagrada a terceira fase da operação, denominada “Grão Vizir”, que prendeu preventivamente o empresário Alan Malouf, dono do Buffet Leila Malouf.

A detenção do empresário foi decorrente da delação premiada firmada entre o empresário Giovani Guizardi e o MPE, onde Guizardi afirmou que Malouf teria doado R$ 10 milhões para a campanha de Pedro Taques no governo e tentado recuperar os valores por meio do esquema.

A terceira fase resultou na segunda denúncia, que teve como alvos o próprio Alan Malouf, considerado um dos líderes do esquema, e o engenheiro Edézio Ferreira.