Mendes disse que Pedro Taques ainda tem condições de chegar bem na campanha eleitoral de 2018

O ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), aliado do governador Pedro Taques (PSDB), afirmou “ser cedo” para dizer que o esquema de escutas clandestinas realizados pela Polícia Militar, com a suposta anuência de parte do Executivo, poderá prejudicar uma eventual reeleição do tucano.

A denúncia sobre a rede de grampos foi feita no início deste ano, ao Ministério Público Federal (MPF), pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, ex-secretário de Estado de Segurança Pública.

Até o momento, estão presas seis pessoas, entre elas o secretário afastado da Casa Militar, Evandro Lesco, o secretário-adjunto afastado da Pasta, Ronelson Jorge de Barros.

“É muito cedo para falar que vai prejudicar. A reeleição do nosso governador passa por ele fazer um bom trabalho. Acredito que ele está procurando fazer esse bom trabalho. E a grande avaliação vai ser feita pelo eleitor no ano de 2018”, disse o ex-prefeito.

 

É muito cedo para falar que vai prejudicar. A reeleição do nosso governador passa por ele fazer um bom trabalho

Apesar disso, Mendes afirmou que o episódio tende a tirar o foco do governador e dos membros do staff.

“Todo tipo de crise afeta à medida em que tira o foco. Dentro da sua casa, por exemplo, se você tem a sua mulher ou filho doente, tira o foco do seu trabalho, prejudica desempenho, porque você está trabalhando com a cabeça neles. Isso é prejudicial”, afirmou.

“Eu lamento que tudo isso esteja acontecendo. Porque, certamente, tira o foco, e não só do nosso governador, mas de outras autoridades que poderiam estar fazendo coisas muito mais produtivas para a sociedade do que ficar cuidando desse monte de confusão. Mas, novamente, é cedo para dizer que prejudica reeleição”, disse.

Crise e entregas

Mendes avaliou, ainda, que o governador tem encontrado dificuldades em fazer “entregas” por conta da crise financeira que afetou o País.

Mas ele acredita ser possível o tucano chegar de maneira positiva nos meses que antecedem o pleito eleitoral de 2018.

“A crise é nacional, é difícil, tem pego a iniciativa pública e privada. Administrar em momentos difíceis não é para muitos. E vejo que o governador Pedro Taques está se esforçando, tentando de todas as formas possíveis vencer as dificuldades no âmbito estadual. Ele tem conseguido alguns avanços e tem encontrado dificuldades que estão sendo trabalhadas no dia a dia”, afirmou.

“Tenho certeza que o governador tem muita coisa para mostrar. Fez tudo? Claro que não. E ninguém faria, nem ele, nem eu e nem ninguém. Tem muito desafio em Mato Grosso. Mas vejo que ele está se esforçando, está procurando. E a grande avaliação é no final, o que vale é a fotografia da chegada, não da largada. O que vale é como o governo vai chegar em 2018”, completou.

Escutas ilegais 

A denúncia sobre a rede de grampos foi feita no início deste ano, ao Ministério Público Federal (MPF), pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, ex-secretário de Estado de Segurança Pública.

Zaque disse que recebeu uma denúncia anônima, com documentos, que evidenciavam a prática ilegal.

Segundo ele, a denúncia foi levada ao conhecimento do governador Pedro Taques (PSDB) em setembro de 2015. O governador, por sua vez, negou ter conhecimento do caso e entrou com um processo contra Zaque.

O esquema funcionaria por meio da chamada “barriga de aluguel”, quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

No caso da denúncia, teria sido usado um inquérito que investigava uma quadrilha de traficantes de cocaína.

Ao pedir a quebra dos telefones dos supostos membros da quadrilha, teriam sido inseridos, ilegalmente, na lista encaminhada à Justiça, os telefones que interessariam ao grupo monitorar.

A decisão que autorizou as escutas contra a quadrilha partiu da Comarca de Cáceres, na fronteira do Brasil com a Bolívia.

Entre os grampeados estariam a deputada Janaina Riva (PMDB); o advogado José do Patrocínio; o desembargador aposentado José Ferreira Leite; os médicos Sergio Dezanetti, Luciano Florisbelo da Silva, Paullineli Fraga Martins, Helio Ferreira de Lima Junior e Hugo Miguel Viegas Coelho.

O inquérito sobre o caso está na Procuradoria Geral da República, sob comando do procurador Rodrigo Janot.

No Tribunal de Justiça,o responsável pelas investigações das interceptações telefônicas clandestinas é o desembargador Orlando Perri. O caso também está sob investigação na PM e Polícia Civil.

Em maio, o ex-comandante da Polícia Militar, coronel PM Zaqueu Barbosa foi preso por supostamente participar do esquema. Além dele, na época também foi detido o cabo Gerson Ferreira.

Já no final de junho, Perri determinou a prisão do secretário afastado da Casa Militar do Estado, coronel PM Evandro Lesco, o secretário-adjunto afastado da Pasta, coronel PM Ronelson Jorge de Barros, o tenente-coronel Januário Batista e o cabo Euclides Torezan.

Fonte: http://www.midianews.com.br