(Por Vinicius Mendes, Olhar Direto)

O advogado Zaid Arbid, que patrocina a defesa de João Arcanjo Ribeiro, disse que o bicheiro está com a “morte civil decretada”. Arbid explicou que Arcanjo não pode ter conta bancária ou fazer transação comercial, e seria este o motivo para guardar dinheiro em casa, por estar “civilmente morto”. No dia da deflagração da Operação Mantus, a Polícia Civil apreendeu cerca de R$ 200 mil reais encontrados na mansão de Arcanjo.

As equipes da Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) encontraram aproximadamente R$ 200 mil na casa de João Arcanjo Ribeiro, preso no último 29, como alvo da ‘Operação Mantus’. A defesa afirmou que é costume de Arcanjo guardar dinheiro em casa, pela impossibilidade de ter conta bancária e que os valores foram declarados à Receita Federal.

“João Arcanjo Ribeiro, civilmente, está com a morte civil dele decretada. Ele não tem condição de ter uma conta bancária, não tem condição de fazer uma transação comercial, então como vai fazer uma pessoa dessas? Ele busca ter esta reserva em dinheiro, não é crime você ter dinheiro, desde que você declare ao Imposto de Renda”, disse o advogado.

De acordo com Arbid, todos os valores encontrados na residência de Arcanjo, e que pertencem a ele, são lícitos. Ele disse acreditar que depois de cumprir sua pena o bicheiro não voltaria a cometer crimes.

“Depois de 14 anos recluso ele não voltaria a praticar aquilo que tirou a liberdade dele. Eu acho que a regra de conduta que ele estabeleceu para ele, é a regra de conduta do bem viver, de jamais ficar à margem da lei, de compromisso e comprometimento com a Justiça. Acredito que os fatos serão revelados, serão investigados da melhor forma e eu creio que a verdade vai aparecer e irão implodir estas acusações que pesam contra João Arcanjo Ribeiro”.

O advogado afirmou que todas as acusações contra Arcanjo não têm substância. Ele comparou a Operação Mantus à Operação Arrego, que investigou se o bicheiro continuava no comando do jogo do bicho mesmo de dentro da cadeia. Ele diz que, assim como na Operação Arrego, Arcanjo será inocentado na Operação Mantus.

“Lamentavelmente é uma réplica daquela Operação Arrego, em 2007, que a polícia fez um levantamento terrível, pintou João Arcanjo Ribeiro como o pior dos piores. Ele foi transferido, ficou 12 anos fora de Cuiabá, em presídio de segurança máxima. A Operação Arrego foi implodida, destruída e João Arcanjo Ribeiro foi absolvido. Naquela época ele estava com 54 anos, ele hoje tem 68 anos, será que ele aguenta mais uma passagem dessas? Será que ele é mais um instrumento de processo, mais uma peça de brinquedo?”, disse a defesa.

“João Arcanjo Ribeiro não é nenhum imbecil, nenhum idiota, ele não ia voar para trás. João Arcanjo Ribeiro tem um propósito, ele vai voar para frente, para a liberdade dele”, finalizou o advogado.

A operação

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), deflagrou na manhã do dia 29 de maio a Operação Mantus, com o escopo de prender duas organizações criminosas envolvidas com lavagem de dinheiro e com a contravenção penal denominada jogo do bicho.

A operação visou dar cumprimento a 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar, expedidos justamente pelo juiz da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu.

As investigações iniciaram em agosto de 2017, descortinando duas organizações criminosas que comandam o jogo do bicho em Mato Grosso. Ambas movimentaram em um ano, apenas em contas bancárias, mais de R$ 20 milhões.

Uma das organizações seria liderada por João Arcanjo e seu genro, Giovanni Zem Rodrigues. A outra é liderada por Frederico Muller Coutinho.

 

 

 

Fonte: https://www.olharjuridico.com.br