O primeiro secretário da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf (PSDB), atribuiu a acusação de seu primo, Alan Malouf, que o citou em um suposto esquema de propina na Secretaria Estadual de Educação (Seduc) a uma possível mágoa do empresário por não conseguir benefícios financeiros na Gestão Pedro Taques (PSDB).

 

A acusação foi feita pelo empresário em interrogatório da ação penal da Operação Rêmora, na qual é réu, na tarde desta quinta-feira (08). A audiência foi conduzida pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.

 

Em entrevista à rádio Capital FM, na manhã desta sexta-feira (09), o tucano negou ter participado de qualquer esquema e disse acreditar que o primo tenha se sujeitado aos crimes por estar com problemas financeiros.

 

“Eu sei que ele estava passando por dificuldades financeiras. Ele não deve ter conseguido nenhum tipo de benefício no governo. Talvez, a mágoa dele de todo mundo venha disso. O primo virou presidente da Assembleia, o amigo dele virou governador, e ele não conseguiu benefício financeiro nenhum”, afirmou.

 

Ele não deve ter conseguido nenhum tipo de benefício no governo. Talvez, a mágoa dele de todo mundo venha disso

“Esse é o raciocínio lógico de empresários. Queriam ter benefício que não obtiveram. E, aí, começam a atirar para todo lado para conseguir recursos. Foi o que aconteceu, constituíram uma quadrilha, tentando angariar recursos para pagar suas contas”, disse.

 

O deputado disse que as denúncias revelam a tentativa de Malouf de diluir as condenações que podem ocorrer contra ele na ação que corre na vara.

 

“Isso são alegações para que diminua a culpa dele para que possa ter benefícios. O que mais ele pode fazer para conseguir sua soltura? Envolveu o governador, envolveu o Nilson Leitão, envolveu o seu primo-irmão, Guilherme Maluf. É lamentável que esse tipo de coisa aconteça, mas demonstra a personalidade de uma pessoa que não quer assumir a culpa”, afirmou.

 

“Eu já dei meu depoimento, estive presente no Gaeco [Grupo de Atuação Especial Contra o Crime], afirmando que o Alan está se utilizando de uma situação para envolver políticos e aliviar sua barra judicialmente. Não apresentou nenhum tipo de prova. Então, só tenho a lamentar”, disse.

 

Caixa 2

 

O parlamentar negou também ter recebido dinheiro por meio de caixa 2 na sua campanha eleitoral de 2014. Entretanto, disse não ter certeza se houve esquemas na campanha do governador Pedro Taques.

 

Para Maluf, mesmo que o caso seja remetido à Procuradoria Geral da República, por envolver o governador, que tem prerrogativa de foro, pouca coisa deve mudar.

 

Eu acredito que não vai dar em nada. O Alan está mentindo em tudo isso. Eu não acredito nisso

“Eu acredito que não vai dar em nada. O Alan está mentindo em tudo isso. Eu não acredito nisso. Ele ajudou e participou da eleição, é verdade. Convivi alguns momentos com ele no processo eleitoral, mas não presenciei nenhum tipo de caixa 2, não acredito que houve esses investimentos vultuosos como o Alan alega”, afirmou.

 

“Eu não participei de nenhum tipo de arranjo na campanha financeira, Minha campanha financeira foi totalmente desligada da campanha majoritária. Tenho só uma doação da campanha do governador para minha conta, de R$ 30 a R$ 45 mil. Fora isso, nenhum tipo de relacionamento financeiro”, disse.

 

Por fim, o deputado disse que, ao final do processo, caso nada seja provado, irá acionar o empresário por calúnia e difamação.

 

“Se for constatado que o Alan mentiu, eu vou tomar providências jurídicas também. Até porque está denegrindo a nossa imagem, a minha, do Nilson Leitão, e do governador Pedro Taques. Não existe nada, mas temos que aguardar as investigações. O direito prevê que temos que esperar as investigações”, completou.

 

As acusações

 

O depoimento prestado a promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), dois dias depois de ser preso na 3ª fase da Operação Rêmora, denominada Grão Vizir, o empresário Alan Malouf afirmou que entregou R$ 40 mil a Maluf a pedido do delator Giovani Guizardi, operador do suposto esquema de propina e fraudes em licitações da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

 

Segundo ele, Guizardi teria dito que o dinheiro seria a parte do “Guilherme” no referido esquema, já que o parlamentar “tinha o real poder político dentro da Seduc”.

 

No depoimento, Malouf disse que não lembra o local em que entregou o dinheiro para Maluf. Afirmou, porém, que o parlamentar não fez nenhuma indagação a respeito do dinheiro, recebendo-o de forma natural.

 

Já em depoimento nesta quinta-feira à juíza Selma Arruda, o empresário voltou a dizer que chegou a passar parte da propina do esquema diretamente a Maluf e para o ex-secretário Permínio Pinto, a pedido de Giovanni Guizardi.

 

O empresário disse ainda que também tinha conhecimento que o deputado federal Nilson Leitão (PSDB) estava recebendo parte do dinheiro de propina.

 

Em acordo de delação premiada, o empresário e delator Giovani Guizardi disse que o deputado Guilherme Maluf ficava com 25% da propina arrecadada com as fraudes na Seduc.

 

Segundo ele, a propina era fixada em 5% sobre os valores que seriam recebidos pelas empresas que tinham contratos com a Seduc.

 

Deste montante, além dos 25% de Guilherme Maluf, segundo Guizardi, outros 25% eram destinados para o então secretário de Educação, Permínio Pinto; 25% para o empresário Alan Malouf; 5% para o ex-servidor da Seduc, Fábio Frigeri; 5% para o também ex-servidor Wander Luis dos Reis e 10% restantes ficavam para ele.

 

Os 5% entregues a Wander seriam “a titulo de administração do esquema (combustível, telefone celulares, energia, aluguel da sala comercial no Edifício Avant Garden – onde as reuniões do grupo criminoso eram realizadas – entre outras despesas)”, disse Guizardi, em seu depoimento.

 

Fonte: http://www.midianews.com.br