Vinte e oito profissionais perderam a vida e 847 profissionais foram afastados porque se contaminaram com o vírus.

(Por Lorena Segala, da TV Centro América)
Mortes por coronavírus no estado já passam de 2,4 mil — Foto: Reprodução/TVCA

Mortes por coronavírus no estado já passam de 2,4 mil — Foto: Reprodução/TVCA

Mato Grosso é o 4º estado com maior número de mortes de profissionais de enfermagem por Covid-19. Entre enfermeiros, técnicos e auxiliares, 28 profissionais perderam a vida. O estado só fica atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Ao todo, 847 profissionais foram afastados porque se contaminaram com o vírus.

O presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), Antônio César Ribeiro, explica que, nesses meses de pandemia, a categoria já enfrentou muitas dificuldades.

“Nós temos em Mato Grosso 847 profissionais afastados por infecção pelo novo coronavírus. Naturalmente nem todos adoeceram de forma grave, mas são 847 baixas, elas não foram repostas para poder recompor as equipes. Nós temos jornadas extensas de 12 horas, número de pacientes que não diminuem, só aumenta, baixa capacitação, racionamento de EPIs e com carga de trabalho ainda maior”, afirma.

A enfermeira Selma Alves Bezerra não teve Covid-19, mas conviveu com a perda de amigos e com a doença. Para dar conta das despesas da casa, ela trabalha em dois hospitais.

“Eu não peguei Covid-19, mas perdi muitos amigos. Tenho amigos que tiveram problemas mais leves, mas é uma loucura todos os dias. Nossa categoria vem lutando pelas 30 horas. Nós fazemos 40 horas ainda e aqui em Cuiabá e em Mato Grosso, ainda está muito exaustivo para nós. Às vezes tem que trabalhar em dois, três hospitais, porque o salário ainda não compensa só em um. A gente precisa de um ganho a mais”, afirma.

Desde o início da pandemia, a fiscalização está voltada para o diagnóstico das condições de trabalho dos profissionais no enfrentamento da doença.

No começo, a maior parte das irregularidades estava relacionada à falta de Equipamento de Proteção Individual. Mas depois detectou-se má qualidade dos EPIs que foram sendo adquiridos pelas prefeituras e instituições privadas, além da falta de profissionais de enfermagem e a sobrecarga de trabalho.

De março a agosto deste ano, foram 219 denúncias averiguadas, 67 notificações extrajudiciais e 152 fiscalizações em loco. O presidente do Conselho Regional de Enfermagem ainda conta que não há concurso para a contratação de profissionais e por isso alguns migram para um trabalho precário.

“Agora quem se aventura em um contexto de segurança como esse é ingressar em um serviço com contrato informal que não garante nenhum direito, que é o que nós chamamos de trabalho precário, que a condição do estado de Mato Grosso que não faz concurso a 18 anos, que a condição da prefeitura de Cuiabá que também não faz concurso e dos outros municípios do estado. A diferença é no setor privado que ingresso ainda tem a carteira assinada, tem a proteção garantida pela Consolidação das Leis do Trabalho”, afirma.

A Secretaria de Saúde de Cuiabá disse que fez processo seletivo simplificado em setembro do ano passado oferecendo 1.700 vagas imediatas e cerca de 2 mil pra reserva. Apenas 20% dos aprovados foram chamados, mas estão sendo convocados aos poucos.

A Secretaria disse ainda que nem todas as vagas foram preenchidas por falta de candidatos.

Outro concurso previsto para este ano foi adiado por causa da pandemia.

Já o governo do estado informou que com a criação do Programa Interativo de Enfrentamento ao Coronavírus está proibido a realização de concurso público até dezembro do ano que vem. Essa determinação faz parte de uma lei complementar do governo federal.

Fonte: https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2020/08/20/mt-e-o-4o-estado-com-maior-numero-de-mortes-de-enfermeiros-por-covid-19.ghtml