Militares envolvidos em grampos ilegais apontaram irregularidades no Ministério Público

(por Camilla Zeni, O livre)

(Foto: Suellen Pessetto/O Livre) – promotor de Justiça Vinicius Gahyva

O promotor de Justiça Vinícius Gahyva, do Ministério Público de Mato Grosso (MPE), comparou as alegações de militares no âmbito da Grampolândia Pantaneira – acusando membros do MPE de práticas ilegais -, com o vazamento de conversas envolvendo membros da Operação Lava Jato.

Para Gahyva, os envolvidos no esquema de escutas clandestinas da Polícia Militar estão tentando descredenciar a instituição Ministério Público, a exemplo do que vem ocorrendo em âmbito nacional.

“Esse movimento é nacional. Na Operação Lava Jato nós vamos ter uma tentativa de descredenciamento da instituição do Ministério Público constante, da atuação daqueles que têm por obrigação constitucional investigar, atuar e apurar responsabilidades, tanto o MP quanto o Poder Judiciário, de pessoas que incidem em condutas que, efetivamente, vêm a denegrir a própria imagem da sociedade brasileira”, afirmou Gahyva.

O promotor acompanhou os reinterrogatórios dos militares na 11ª Vara Criminal de Cuiabá, nesta terça e quarta-feira (16 e 17), e reagiu com indignação diante das diversas irregularidades apontadas pelos militares.

Réu confesso, o cabo da PM Gerson Luiz Corrêa Junior, por exemplo, citou verbas secretas, grampos ilegais no Gaeco e listou nomes de promotores supostamente envolvidos.

“Os réus estão procurando tirar vantagens dos elementos que eles estão trazendo, mas, diferentemente do que está sendo dito, desprovidos de provas concretas”, minimizou Gahyva.

O representante do MPMT tornou a dizer que os réus apresentam discursos controversos, em interrogatórios e depoimentos, e que buscaram colaborar apenas na iminência de serem sentenciados.

Cabe destacar que o julgamento do caso estava previsto para março e, após pedido de reinterrogatório de três dos cinco acusados, foi adiado para agosto. Agora, ao fim das novas declarações, a audiência tornou a ser redesignada, dessa vez para novembro deste ano.

Gahyva ainda afirmou que a colaboração premiada, que tem como pressuposto a indicação de outros envolvidos, em nível hierárquico superior, deveria ser restringida na Justiça Militar. Para ele, militares apenas poderiam delatar militares.

“Apontar civil, para efeitos de produção num processo militar, me parece que não faz sentido”.

 

 

Fonte: https://olivre.com.br