O secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, negou, nesta quarta-feira (26), que o Governo do Estado tenta boicotar as investigações sobre um suposto esquema de interceptações telefônicas clandestinas operado pela Polícia Militar de Mato Grosso.

 

Segundo ele, a vontade do governador Pedro Taques (PSDB) é que o caso seja “cabalmente esclarecido”.

 

Os grampos são objeto de investigação na Polícia Militar, na Polícia Civil, no Ministério Público do Estado e no Tribunal de Justiça. Seis militares já foram presos por suspeita de participação no esquema. Dois, porém, já foram soltos.

 

Não existe boicote nas investigações. Isso não é verdade, isso é uma falácia, isso é uma invenção. Na minha opinião, o caso está sendo muito bem tratado, tanto na PM, como na PJC e no MPE

“Não existe boicote nas investigações. Isso não é verdade, isso é uma falácia, isso é uma invenção. Na minha opinião, o caso está sendo muito bem tratado,  tanto na PM como na PJC e no MPE. Eu não conheço, infelizmente, o desenrolar das investigações que são realizadas no Tribunal de Justiça, pelo desembargador Orlando Perri. Mas, ele é uma pessoa muito séria e vai conduzir de maneira muito séria essa investigação”, disse o secretário, em entrevista à Rádio Capital FM.
“O que eu posso dizer é que o governador Pedro Taques tem muita vontade para que isso seja cabalmente esclarecido. Inclusive, eu ingressei no Governo do Estado por conta dele, da pessoa que ele é, do profissional que foi como procurador da República, do político que foi como senador, e do governador que é ele”, completou.

 

O suposto esquema de escutas telefônicas teria grampeado mais de 100 pessoas sem envolvimento com crimes. Entre eles, políticos, jornalistas, advogados, médico e desembargador.

 

Rogers Jarbas observou que, desde que a denúncia sobre o caso veio à tona, o Governo vem atuando no sentido de apurar fato. Citou como exemplo a auditoria, feita pela Corregedoria Geral do Estado, que apontou que o protocolo da denúncia feita pelo promotor Mauro Zaque, ex-secretário de Segurança, foi substituído por outro.

 

“Então, não é verdade que o Governo do Estado estaria eventualmente atrapalhando, colocando obstáculos nas investigações. Pelo contrário, a vontade do governador Pedro Taques é que isso seja cabalmente esclarecido. Tanto é que, em todas as oportunidades, ele determinou imediatamente que tudo fosse apurado”, disse.

 

O secretário afirmou que tem convicção de que “a verdade sobre o caso aparecerá”.

 

“Se quem vai esclarecer isso é MPE, o Poder Judiciário, a Policia Militar. Isso não importa para nós. Nós temos vários processos administrativos, o que denota que há uma vontade, no sistema de Segurança Pública e de outros poderes, em esclarecer os fatos. Eu tenho convicção de que vamos chegar na verdade”, completou.

 

Escutas ilegais

 

A denúncia sobre a rede de grampos foi feita no início deste ano, ao Ministério Público Federal (MPF), pelo promotor Mauro Zaque.

 

O ex-secretário de Segurança disse que recebeu uma denúncia anônima, com documentos, que evidenciavam a prática ilegal.

 

Segundo ele, a denúncia foi levada ao conhecimento do governador Pedro Taques em setembro de 2015. O governador, por sua vez, negou ter conhecimento do caso e entrou com um processo contra Zaque.

 

O esquema funcionaria por meio da chamada “barriga de aluguel”, quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

 

No caso da denúncia, teria sido usado um inquérito que investigava uma quadrilha de traficantes de cocaína.

 

Ao pedir a quebra dos sigilos dos telefones dos supostos membros da quadrilha, teriam sido inseridos, ilegalmente, na lista encaminhada à Justiça, os telefones que interessariam ao grupo monitorar.

 

A decisão que autorizou as escutas contra a quadrilha partiu da Comarca de Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá), na fronteira do Brasil com a Bolívia.

 

Entre os grampeados estariam a deputada Janaina Riva (PMDB); o advogado José do Patrocínio; o desembargador aposentado José Ferreira Leite; os médicos Sérgio Dezanetti, Luciano Florisbelo da Silva, Paullineli Fraga Martins, Hélio Ferreira de Lima Junior e Hugo Miguel Viegas Coelho.

 

O inquérito sobre o caso está na Procuradoria Geral da República, sob comando do procurador Rodrigo Janot.

 

Prisões

 

No dia 23 de maio, o coronel PM Zaqueu Barbosa, ex-comandante-geral da PM de Mato Grosso, e o cabo Gerson Ferreira Correia Júnior foram presos acusados de operar a suposta rede de interceptações telefônicas clandestinas.

 

Um mês depois, o secretário afastado da Casa Militar do Estado, coronel PM Evandro Lesco; o secretário-adjunto afastado da pasta, coronel PM Ronelson Jorge de Barros; o tenente-coronel Januário Batista e o cabo Euclides Torezan também foram detidos, por suspeita de participação no esquema. Os dois últimos foram soltos.

 

Fonte: