Representantes do Fórum Sindical – entidade que reúne 31 categorias do funcionalismo público de Mato Grosso – prometem radicalizar contra o Governo em razão do Projeto de Lei Complementar que prevê o congelamento dos salários dos servidores por dois anos.

A medida, conforme já informou o próprio governador Pedro Taques (PSDB), inclui a não-concessão da RGA (Revisão Geral Anual) e as progressões de carreira. A ideia do governador é encaminhar o projeto para ser apreciado na Assembleia Legislativa ainda este ano.

Os servidores afirmam que, em nenhum momento, o Executivo chamou a categoria para conversar sobre o assunto e classificaram a gestão Taques como “coronelismo”.

“Não há diálogo com o Governo. Estamos às vésperas de uma suposta votação na Casa de Leis e não sabemos de nada. O Governo interrompeu o diálogo conosco e não nos atende desde a época da greve. A própria Assembleia diz que não conhece o projeto”, disse o presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde e do Meio Ambiente (Sisma), Oscarlino Alves.

“Os servidores do Executivo, ao que parece, são tratados como marginais da história. O Fórum está preocupadíssimo. Aqui está virando coronelismo e não vamos aceitar esse tipo de coisa”, emendou o presidente do Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental (Sinpaig), Edmundo Leite.

“O Fórum está vigilante e vamos bater duro com esse desgoverno que está instalado aqui no Estado”, completou o sindicalista.

Ocupação

Os representantes do Fórum já iniciaram um movimento de “ocupação” na Assembleia Legislativa e estão convocando os servidores para acompanhar as próximas sessões da Casa.

Além disso, eles pedem que os servidores acompanhem a audiência pública marcada para esta terça-feira (19) e que vai discutir a Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2017.

“O Governo não quer dialogar e vai empurrar o bastão para Casa de Leis. Vamos fazer igual ao Rio de Janeiro. Vamos ocupar o espaço. Se preciso for, vamos radicalizar, vamos acampar aqui, cobrar dos parlamentares, convocar o trabalhador para discutir”, disse Oscarlino.

“Temos várias leis aprovadas, como a que prevê o parcelamento da RGA, as leis de carreira e outras. Essas leis ficarão suspensas, em paralelo a essa nova lei complementar que o Estado propõe. Quer dizer: ele interrompe todos os direitos, as progressões verticais e horizontais, a RGA que ele fez acordo e agora tenta derrubar”, afirmou.

“Golpe”

O sindicalista Edmundo Leite disse também que os servidores do Estado se sentem enganados.

“Infelizmente, fomos enganados por esse Pedro Taques. Confiamos nele e ele nos deu um golpe muito grande. Não vamos cair com esse golpe. Vamos reanimar junto com nossas bases e vamos para cima”, disse.

Greve

Os membros do Fórum não descartam ainda um novo movimento grevista do funcionalismo público.

Neste ano, após o Governo anunciar que não iria pagar a RGA, os servidores realizaram uma greve geral que durou cerca de um mês.

“A greve é uma ferreamente institucional de um sindicato. Se esse for o caminho das ações aqui, nós podemos partir para um novo movimento paredista que a gente acredita que seja maior, porque agora chegou a um momento crucial. A RGA foi um absurdo, mas agora é insustentável”, disse Oscarlino.

“Trata-se de dano moral, financeiro, dano pessoal. O trabalhador está sem dinheiro até para comprar medicamento. Uma completa injustiça com o trabalhador. A nossa grande luta é colocar a RGA na LOA e não deixar aprovar essa lei complementar que o Governo está colocando aí, que congela tudo. A previsão é que esses projetos sejam aprovados todos goela abaixo. Por isso vamos ficar de plantão aqui para não deixarmos isso acontecer”, concluiu o sindicalista.