O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo), Luiz Antônio Freitas Martins, afirmou que a cadeia produtiva da carne em todo o Brasil já está sofrendo “um grande prejuízo” em razão da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira (17).

 

Mato Grosso exporta uma média diária de US$ 5,4 milhões em carne, conforme o Ministério da Agricultura. Com a interrupções nas compras pelos principais mercados consumidores do Mundo, estima-se que o Estado tenha deixado de vender mais de US$ 20 milhões desde o início da semana.

 

A operação investiga esquema de fraudes em 21 frigoríficos, que pagavam propina a servidores para conseguir liberação da venda de carnes vencidas e podres, que chegaram a ser vendidas no Brasil e no exterior.

 

“O estrago já aconteceu. Tudo isso é muito ruim para a imagem da cadeia produtiva brasileira. Todo mundo vai ter um prejuízo muito grande no País. Não vai ser pequeno, não vamos subestimar não”, garantiu Martins.

 

“Nós tivemos um trabalho de mais de 15 anos para abrir fronteiras de mercado, a duras penas, com muitas dificuldades e isso está indo tudo para o ralo”, completou.

 

Diferente da maioria das autoridades ligadas ao setor, o presidente do Sindifrigo elogiou o trabalho realizado pela Polícia Federal. Mas pontuou a necessidade de se tratar os casos de corrupção de maneira isolada, caso sejam comprovados.

É um equívoco jogar a imagem do Brasil na lama como aconteceu

 

“A Polícia Federal tem um trabalho exemplar. É um órgão que jamais pode ser questionado. Se tem um problema, tem que ser punido, doa a quem doer. Agora, acho que foi feito um barulho muito grande com uma coisa que é pontual e que deve ser melhor apurada. É um equívoco jogar a imagem do Brasil na lama como aconteceu”, disse.

 

Segundo a Polícia Federal, em quase dois anos de investigação foi detectado que fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) recebiam propina para liberar licenças sem realizar a fiscalização adequada nos frigoríficos nos Estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás.

 

Questionado sobre a possibilidade de novas fases da operação serem deflagradas e englobarem outros Estados, incluindo Mato Grosso, Martins garantiu que “não há a menor possibilidade de existir corrupção” por aqui.

 

“Eu não tenho a menor preocupação nesse sentido. Tenho convicção de que o trabalho que é feito em Mato Grosso e também em outros Estados é invejável. Nós temos peritos altamente capacitados dentro do Ministério da Agricultura e técnicos altamente capacitados dentro das empresas”.

 

Martins disse, ainda, que caso a operação seja expandida, servirá como um “atestado” da qualidade da carne brasileira.

 

“Eu acho que as operações devem ser feitas, cabe a nós mostrar para a sociedade a transparência e a tranquilidade dos nossos produtores com relação à qualidade do nosso serviço. Acho, inclusive, que devem ser feitas operações também em Mato Grosso e em outros Estados, para atestar isso”, disse.

 

Operação

 

Ao todo, foram expedidos 38 mandados de prisão. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das empresas investigadas.
Segundo a PF, essa é a maior operação já realizada na história da instituição. Foram mobilizados 1.100 policiais em seis Estados (Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás) e no Distrito Federal.
De acordo com o superintendente federal da Agricultura do Estado (SFA-MT), José Assis Guaresqui, embora as unidades em Mato Grosso não tenham sido alvo no esquema apurado, não é possível descartar a possibilidade de os frigoríficos serem investigados em desdobramentos da operação.

 

 

Fonte: http://www.midianews.com.br