O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo), Luiz Antônio Freitas Martins, afirmou que a cadeia produtiva da carne está começando a reagir aos impactos da Operação Carne Fraca, mas que algumas “sequelas” podem ser deixadas.

 

Segundo Martins, o trabalho que vem sendo desempenhado pelo Ministério da Agricultura tem garantido o “resgate da credibilidade” do setor perante o mercado internacional.

 

No entanto, os prejuízos causados pela queda nas exportações vão “deixar feridas”, tanto na indústria quanto na produção primária.

 

“Houve muita dificuldade no escoamento dos produtos nesses últimos dias. Mas agora, lentamente, nós estamos retomando as atividades. Alguma sequela, alguma ferida vai ficar. Mas é importante ressaltar o trabalho que o Ministério da Agricultura vem fazendo. Se não fosse isso os prejuízos seriam muito maiores”, afirmou.

 

Na semana passada, o Governo havia divulgado um balanço que estimava prejuízos de pelo menos R$ 1,5 bilhão com a redução na venda externa de carnes e derivados em um prazo de um ano.

 

Tendo em vista que o mercado interno que vivíamos não era dos melhores, agora, com esse evento, a situação do pecuarista se complica ainda mais

Conforme um levantamento do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), quatro dias após a deflagração da Carne Fraca a média diária de exportação de carnes que era de US$ 63 milhões, caiu para US$ 74 mil.

 

Em Mato Grosso, embora nenhum frigorífico tenha sido alvo da operação, os prejuízos também foram sentidos.

 

“É difícil falar em números, porque nós não temos acesso ao balanço individual de cada empresa, mas com certeza Mato Grosso deixou de exportar muita coisa e deixou de abater porque não tinha como escoar a produção. Então, isso prejudicou tanto a indústria quanto os produtores”, avaliou o presidente do Sindifrigo.

 

De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), das 25 plantas frigoríficas que funcionam no Estado, pelo menos 13 suspenderam as atividades, algumas sem previsão de voltar ao mercado ainda esta semana.

 

Segundo o Imea, com a retração das empresas, das quais 10 pertencem ao grupo JBS – investigado na operação –, o preço do boi gordo em Mato Grosso caiu 2,10%.

 

“Tendo em vista que o mercado interno que vivíamos não era dos melhores, agora, com esse evento, a situação do pecuarista se complica ainda mais”, destacou o Imea em seu boletim, divulgado nesta segunda-feira (27).

 

Carne Fraca

 

A Operação Carne Fraca investiga um esquema de fraudes em 21 frigoríficos, que pagavam propina a servidores do Ministério da Agricultura, que faziam vistas grossas a problemas sanitários e de produção.

 

Ao todo, foram expedidos 38 mandados de prisão. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das empresas investigadas.

 

Segundo a PF, essa é a maior operação já realizada na história da instituição. Foram mobilizados 1.100 policiais em seis Estados (Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás) e no Distrito Federal.

 

De acordo com o superintendente federal da Agricultura do Estado (SFA-MT), José Assis Guaresqui, embora as unidades em Mato Grosso não tenham sido alvo no esquema apurado, não é possível descartar a possibilidade de os frigoríficos serem investigados em desdobramentos da operação.

 

Fonte:http://www.midianews.com.br