O deputado estadual Zeca Viana (PDT) criticou a proposta do presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (PSB), de taxar o agronegócio para que o Estado complemente sua arrecadação e consiga resolver os problemas de caixa.

 

A declaração foi feita durante entrevista ao MidiaNews, no início da semana (veja link abaixo).

 

“Sobre essa discussão de taxação do agro, os mais novos não se lembram de como eram as cidades antes dos anos 80. As cidades que surgiram no Estado por conta do agro são diferentes das cidades do extrativismo. É cidade que orgulha qualquer brasileiro em morar. Isso é sugar do Estado? É uma idiotice dizer que agronegócio não paga imposto”, disse o deputado.

 

Para Zeca, que também é produtor rural, não há “gordura para queimar” no setor, como sugeriu Botelho.

 

O parlamentar disse que 2016 foi o pior ano para a produção no Estado, com queda de produção e de preço internacional.

 

Cidades que surgiram no Estado por conta do agro são diferentes das cidades do extrativismo. É cidade que orgulha qualquer brasileiro em morar. Isso é sugar do Estado?

“Queria que ele [Botelho] apontasse onde está a gordura para queimar. Eu sou do agro e sei como está. Viemos de um ano difícil. Dos 31 anos em que estou em Mato Grosso, o pior de produção e de preço foi 2016. Um ano que nos levou quatro anos para trás. Retroagimos pela queda de produção e a queda de preço internacional. Foi o cão para o agro”, afirmou.

 

“As pessoas olham uma fazenda com não sei quantos tratores, colheitadeiras, infraestrutura, e acham que isso tudo é a lucratividade. Mas não sabe que o produtor não tem dinheiro em conta, o que tem é para investimento. O que realmente está dando retorno financeiro é a valorização imobiliária, porque antes as terras não tinham quase nenhum valor venal. Transformamos isso aqui em um oásis de produção e [a terra] ganhou valor”, disse.

 

Assumir infraestrutura

 

Apesar disso, o deputado desafiou o governador Pedro Taques (PSDB) a deixar a infraestrutura do Estado a cargo do agronegócio, liberando, em troca, o setor de pagar todo tipo de imposto, que, segundo ele, já é cobrado.

 

Ele acredita que Mato Grosso terá um retorno maior em obras de estradas e o setor ainda gastará menos com tributo.

 

“Eles dizem que não pagamos nada. Tirem tudo o que o agro recolhe para o Estado e nos deixem fazer a infraestrutura. Tenho certeza que em cinco anos fazemos estradas, pontes e ainda vai sobrar dinheiro para fazer mais coisa”, afirmou.

 

“Os produtores são os mais interessados, são os que estão pagando e não enxergam os resultados. São os que mais têm interesse”, completou.

 

Hoje, por conta da Lei Kandir, a cobrança de ICMS não incide sobre as commodities agrícolas para exportação.

 

 

Fonte: http://www.midianews.com.br