Autoridades têm pela frente desafios como a reabertura de leitos, avanço da vacinação e a reorganização da rede de serviços de saúde.
(por Safira Campos do PNB Online)

Com taxas de ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) acima de 80% esta semana, Mato Grosso voltou para a zona de alerta crítico, conforme os parâmetros da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que monitora dados da pandemia de coronavírus no Brasil. Até esta terça-feira (25.01), estavam ocupados 84,72% dos leitos voltados para o atendimento de pacientes em estado mais grave no estado.
O avanço dos casos de infecção pela variante Ômicron vem causando uma acelerada pressão no sistema de saúde. Mato Grosso vinha variando entre zona de alerta intermediário e fora de zonas de alerta desde o segundo semestre do ano passado. Em 10 de janeiro deste ano, apenas 50% dos leitos de UTI estavam ocupados. A ocupação de leitos de enfermaria, que hoje é de 42%, era de 16% àquela altura.
De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), foram 4.110 novas infecções somente nas últimas 24h. Neste momento, há 790 pessoas internadas, sendo 369 em enfermarias e 233 em UTIs, que já têm apenas 24 leitos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A situação de novo agravamento da pandemia já havia sido prevista por estudiosos semanas antes, que apontavam aumento da demanda por serviços de saúde em um futuro breve.
Ainda assim, o cenário atual é bastante diferente do visto em 2021, quando entre março e junho o país viveu um colapso do sistema de saúde combinado com elevadas taxas de incidência e número de óbitos pela doença. Apenas em 5 de abril daquele ano, foram 128 mortes pela doença em Mato Grosso. Neste sentido, o avanço da vacinação da população é tido como fator decisivo para que o número de óbitos mantenha-se em patamares bastante inferiores aos observados anteriormente, como o desta terça-feira (25.01), quando a SES-MT divulgou cinco novos óbitos no intervalo de 24 horas.
Conforme a Fiocruz, embora a Ômicron também esteja demandando atenção e acionamento de planos de contingência, é preciso considerar que a alta na ocupação de leitos de UTI também reflete o uso de serviços complexos requeridos por casos da variante Delta e de influenza. Cabe ainda ressaltar, de acordo com os cientistas, que o patamar de número de leitos é outro, e o número de internações em UTI hoje ainda é predominantemente muito menor do que aquele observado anteriormente.
Desafios
Desta maneira, neste momento, além da reabertura de leitos e avanço da vacinação, um dos desafios posto às autoridades é a reorganização da rede de serviços de saúde no sentido de dar conta dos desfalques de profissionais afastados por contrair a infecção. Nesta segunda-feira (24.01), as Unidades Básicas de Saúde (UBS) de quatro bairros de Cuiabá suspenderam o atendimento de pacientes em razão dos médicos terem contraído covid-19 ou gripe.
Sendo assim, com alta transmissibilidade e infecções, e grande crescimento do número de casos e de demanda por serviços de saúde, instituições como a Fiocruz continuam ressaltando que é fundamental o fortalecimento de medidas de prevenção, com a obrigatoriedade de uso de máscaras em locais públicos, a exigência do passaporte vacinal e o estímulo ao distanciamento físico e higiene constante das mãos.
Fonte: https://www.pnbonline.com.br/geral/com-alta-de-casos-de-covid-mt-volta-para-a-zona-de-alerta-cra-tico-de-ocupaa-a-o-de-utis/82882





