27/02/2024

Prisão de cabo da PM será avaliada por Conselho da Vara Militar

Réu confessou ter descumprido medida cautelar; audiência foi marcada para o dia 6 de novembro

O juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar do Fórum de Cuiabá, determinou que o Conselho Militar julgue o pedido de prisão preventiva do cabo da Polícia Militar Gerson Corrêa no dia 6 de novembro, às 13h30min.

 

O cabo Gerson – réu confesso no caso das interceptações telefônicas ilegais em Mato Grosso – foi preso no dia 19 de outubro, após descumprir medida cautelar imposta pela Justiça, que o proibia de sair à noite. Na madrugada do dia 30 de agosto, ele foi à casa noturna Malcom Pub, em Cuiabá.

 

“Assim, considerando que a decisão que decretou a prisão preventiva deverá ser referendada ou não pelo Conselho de Justiça Militar, designo sessão para o dia 06 de novembro de 2018, às 13h30, ocasião em que será deliberada ou ratificada a necessidade da prisão”, diz o juiz nos autos do processo.

 

Pelo Código Penal Militar, a prisão deve ser julgada procedente ou não pelo juiz Marcos Faleiros e pelos quatros juízes militares que compõem o conselho.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Marcos Faleiros 26-01-2018

Juiz Marcos Faleiros, que designou sessão para o próximo mês

 

Gerson, que estava solto desde março deste ano, está preso na sede do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam),

 

Decreto de prisão 

 

O juiz Wladymir Perri, substituto da 11ª Vara Militar de Cuiabá, foi quem determinou a prisão do cabo da PM no último dia 19. Na decisão, o magistrado fez duras críticas ao policial.

 

“[O cabo] não merece qualquer credibilidade, ou seja, o descrédito é total, ao ponto de se poder concluir que tem uma personalidade distorcida, o que oferece sérios riscos à sociedade, e principalmente para apuração dos fatos, o que, por si só, já justificaria a decretação da prisão preventiva”, afirmou o magistrado, em trecho da decisão.

 

Em princípio, a defesa do cabo negou que ele tivesse ido à boate. Mas depois que os proprietários entregaram à Justiça uma ficha em que consta o nome do policial, o advogado Neyman Monteiro reconheceu o descumprimento, mas argumentou que o cabo esteve no local atrás da esposa, com quem havia brigado.

 

“Quero acreditar que o douto causídico agiu em sua peça inicial de boa fé, de modo que, se o próprio advogado foi ludibriado, ao ponto de posteriormente ter que justificar em nome do principio da verdade real, então esse cidadão, cabo Gerson Luiz Ferreira Correa Junior, não merece qualquer credibilidade, ou seja, o descrédito é total”, escreveu o magistrado.

Na denúncia do Ministério Público, além de ir a boate, consta que o réu violou a tornozeleira eletrônica, equipamento que faz uso desde que deixou a prisão, em março deste ano.

A defesa alega que o equipamento apresentou falha mecânica no carregador do equipamento. Falha essa, segundo a defesa, comprovado junto à Central de Monitoramento.

Grampolândia

O caso dos grampos veio a público em maio do ano passado.

Além do cabo, também são réus do esquema o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa; os coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, respectivamente, e o coronel Januário Batista.

Os grampos clandestinos militares tinham a finalidade de espionagem política, escuta de advogados no exercício de sua função, jornalistas, desembargadores, deputados e médicos. Estima-se que foram grampeados ilegalmente entre 80 e 1000 terminais.

Gerson foi o único a confessar o crime. Ele afirmou que chegou a operar as escutas ilegais dentro do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), local onde atuava.

 

“Nesse período, eu estava lotado no Gaeco, fazia dupla jornada. Com o surgimento da plataforma Sentinela, facilitou muito o trabalho porque o acompanhamento era operado pela web. Então, eu realizava algumas escutas na sede do Gaeco mesmo”, afirmou.

 

Segundo Gerson Correa, foi o cabo PM Euclides Luiz Torezan, também envolvido na trama, quem instalou o sistema em seu computador no Gaeco, para que ele pudesse ouvir os grampos dentro da instituição.

Do Gaeco, Gerson teria passado a operar os grampos de uma sala comercial, localizada na Rua Desembargador Ferreira Mendes, nº 235, na região central de Cuiabá. Lá, ele teve ajuda de outros quatros militares.

As interceptações, segundo ele, só foram interrompidas após o promotor de Justiça Mauro Zaque – que descobriu o esquema – interrogar os coronéis Zaqueu Barbosa e Airton Siqueira sobre o caso.

O promotor de justiça Allan Sidney do Ó Souza apresentou, recentemente, as alegações finais do processo relacionado ao caso dos grampos e, entre os requerimentos, pediu a condenação do cabo Gerson e dos coronéis da PM Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco.

 

 

Fonte: http://www.midianews.com.br

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