Obesidade é uma doença crônica e necessita de tratamento contínuo

Ilustrativa

 

Atualmente, 22% da população brasileira adulta está obesa e a maioria nem sabe que a doença é crônica e precisa ser tratada para sempre, seja com atividade física, com dieta, cirurgia ou remédio. Os dados são do Ministério da Saúde (de 2021). Mas o Brasil não está sozinho na lista de obesos. Até 2030, um bilhão de pessoas viverão com obesidade no mundo. Isso significa 17,5% da população adulta de todo o planeta. Esta é a projeção do Atlas Mundial da Obesidade 2022, publicado pela Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation). No Brasil, a obesidade deve atingir 30% da população adulta, até 2030.

O estudo da FMO indica que, no Brasil, o aumento de crianças e adolescentes obesas entre 2010 e 2030 deve ser de 3,8% a cada ano. O quadro é considerado “muito alto” e deve ocasionar mais de sete milhões de jovens obesos em oito anos.

De acordo com a dra. Gabriela Polisel, endocrinologista e coordenadora do Programa Superação, do Núcleo de Saúde Preventiva da Unimed Cuiabá, o problema é que crianças obesas têm grande chance de serem adultos obesos. “A consequência da obesidade na infância para a vida adulta é o aparecimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, que podem matar precocemente no período de grande produtividade na fase adulta.”

Mais perto da nossa realidade, Cuiabá chegou a ser considerada a segunda capital com maior índice de pessoas obesas do país, de acordo com dados de 2020, do Instituto de Estudos para Políticas Públicas de Saúde (IEPS).

A obesidade é uma doença multifatorial e precisa ser tratada em vários aspectos, principalmente o emocional. O preconceito, o estigma social, é um grande problema para o obeso por causa do julgamento. A compulsão alimentar e a obesidade são doenças que podem (ou não) estar associadas.

“A doença afeta a maioria dos sistemas do corpo. Atinge o coração, fígado, rins, articulações e sistema reprodutivo. Isso leva a uma série de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral e várias formas de câncer, bem como problemas de saúde mental. Pessoas com obesidade também têm três vezes mais chances de serem hospitalizadas devido à Covid-19”, explica dra. Gabriela.

A obesidade é determinada pelo Índice de Massa Corporal (IMC), que é calculado dividindo-se o peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros). Quando o resultado fica entre 25 e 30, considera-se que há sobrepeso, condição que atinge 57% da população adulta no país. Se o índice for maior que 30, o caso é caracterizado como obesidade.

AS RAÍZES DO PROBLEMA

Falar sobre excesso de peso é algo complexo. Existem vários contextos para além dos números da balança. É possível reunir causas genéticas, comportamentais, sociais, culturais, financeiras, políticas e midiáticas. Conclui-se que a obesidade tem entre suas raízes a falta ou dificuldade do acesso à uma alimentação saudável, a alimentação baseada em alimentos ultraprocessados, os genes da doença herdados da família, o sedentarismo e a falta de espaços públicos que incentivem a prática de atividades físicas.

A comercialização e a publicidade de alimentos não saudáveis, como os ultra processados, somada à falta de acesso aos alimentos in natura e minimante processados, influenciam o padrão de alimentação das pessoas o que pode favorecer o ganho de peso.

Conforme o “Guia Alimentar para a População Brasileira”, produzido pelo Ministério da Saúde, adotar uma alimentação adequada e saudável não é meramente uma questão de escolha individual. Comerciais em meios de comunicação, matérias na internet, amostras grátis de produtos, ofertas de brindes, descontos e promoções, disposição de produtos em locais estratégicos dentro dos supermercados e embalagens atraentes são alguns dos exemplos mais frequentes dos mecanismos adotados para a sedução e o convencimento dos consumidores.

O Guia reforça ainda que, com base no que vêem nos comerciais, a população em geral é levada a acreditar que alguns alimentos ultraprocessados têm qualidade superior aos demais ou que tornarão as pessoas mais felizes, atraentes, fortes, “supersaudáveis” e socialmente aceitas, ou que suas calorias seriam necessárias para a prática de esportes, apesar dessas informações não serem verdadeiras.

Além de tudo isso, o aumento de peso também tem raízes emocionais, já que a saúde não é só sobre a parte física. E as doenças de fundo emocional refletem bastante no corpo, incluindo a perda ou o ganho de peso excessivo.

Outros fatores que influenciam a obesidade são o sono desregulado, fator que provoca desregulação nos hormônios propiciando o ganho de peso; o uso de medicamentos; ganho de peso excessivo na gravidez; mudança de faixa etária e de ciclo da vida.

O trabalho da Unimed Cuiabá no cuidado à obesidade

A Unimed Cuiabá oferece aos seus clientes o Programa Superação, vinculado ao Núcleo de Saúde Preventiva da cooperativa. Destinado às pessoas com IMC maior que 30, que desejam perder peso de forma saudável – através da mudança de hábitos alimentares e estilo de vida.

O programa visa vincular a perda de peso à uma ideia positiva e aos ganhos que ela proporciona à saúde, bem como diminuição e eliminação de patologias e a melhora da autoestima.

“Espera-se de fato, desassociar a imagem da alimentação saudável com “passar fome” ou a de “cansaço” quando se refere a atividade física, através de uma linha de cuidado interdisciplinar totalmente voltada para o atendimento da obesidade, auxiliando, motivando e acompanhando esse paciente para que o mesmo melhore sua qualidade de vida”, explica a coordenadora do programa.

Como é desenvolvido

O Programa Superação promove uma linha de cuidado integral para o tratamento da obesidade, proporcionando um trabalho em grupo de forma ética e segura. As recomendações serão realizadas por profissionais capacitados e tendem a ser práticas e flexíveis para uma melhor adesão.

O programa conta ainda com o suporte de uma equipe interdisciplinar composta por médico endocrinologista, médico do exercício e reabilitação, médico psiquiatra, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeuta.

 

 

 

Fonte: https://www.ancoranoticias.com.br/noticia/14257/a-obesidade-da-populacao-brasileira